Soneto à Amizade
(Thiago Soares)
Tem o brilho e a força do diamante,
Tem o aroma e a beleza da rosa,
É, como a seda, cintilante,
É, como o mar, tempestuosa.
Faz-me vivo, como faz o ar;
Faz-me feliz, como faz o amor,
Faz-me magnífico, como faz o esplendor,
Faz-me criança, como faz o imaginar.
Sem ela, impossível agir.
Sem ela, impossível querer.
Com ela, sou todo viver.
A cada instante eu a desejei,
É ela que tanta falta me fez,
É a AMIZADE essa tal com quem tanto sonhei. Mesmo sem te ver sei-te, de cor, decorado
És o meu decreto-lei, o meu ir e vir, o meu outro lado
Fecho os olhos e vou esculpindo uma imagem
Apago os Abrolhos e dou início à viagem
Ouço a tua voz, mas é a minha boca que se mexe
Desaguo na tua foz e teu sangue pulsa e remexe
Tolda-me a emoção, mas é em ti que as lágrimas correm
Sente o meu coração e lê as letras que transcorrem
Escrevo assim estas linhas apenas para te dizer
Que para onde tu caminhas é onde eu irei chegar
E que em ti depois da noite eu irei amanhecer
Não existe outra saída a não ser encontrar-te
Procurar-te-ei incansável e destemidamente
E a contrapartida é deixares-me levar-te… Onde estou eu que já não me encontro,
Perdi-me neste mundo sem chão,
Nesta vida desatinada.
Meus sonhos foram submersos,
Dominados por minha própria sorte.
Abusei dos outros,
Daquilo que tentaram me transmitir,
E fiquei agora sozinho.
Quis ter tudo, a acabei sem nada.
Quis construir o meu universo,
E apenas me restam as pedras,
Que atirei aos outros, sem pensar.
Domina-me uma solidão imensa,
Quando vejo tudo o que perdi,
Não por amor, ou por desejo,
Apenas por ambição do que não podia ter.
Maldisse os outros, inventei palavras vãs,
Pensei que era mais por isso,
Mas agora vejo, perdido em mim,
Que perdi mais que ganhei.
E sozinho, não posso mais lutar. É duro ter que escolher.
Entre minha razão ou te perder.
Cansei de sofrer.
Pois o que, mas queria era te ter.
Fiz tudo para te conquistar.
Mas você, pois outra em meu lugar.
Eu não sabia que iria ser assim.
Ter você divido pra mim.
Ouço dizer que precisamos
Ouvir o coração.
Mas no meu caso prefiro a razão.
Para ver se saio dessa solidão.
Preciso voltar sentir a essência da vida.
Mas não ser por você essa mulher sofrida.
Não pense que é fácil tomar essa decisão.
Mas é o único jeito de te esquecer.
É abrir as portas para quem me merecer.
Pois eu cansei de sofrer.
Prefiro que seja assim.
Do que ter você ao meu lado
Divido e com pena de mim.
Mesmo te amando saio do seu caminho
Pois o amor é inteiro e completo.
E eu não sei e não posso amar pela metade.
Quero alguém que me ame por inteiro e de verdade!
*-* A FLOR DE LIS.
Vive um momento com saudade dele
Já ao vivê-lo . . .
Barcas vazias, sempre nos impele
Como a um solto cabelo
Um vento para longe, e não sabemos,
Ao viver, que sentimos ou queremos . . .
Demo-nos pois a consciência disto
Como de um lago
Posto em paisagens de torpor mortiço
Sob um céu ermo e vago,
E que nossa consciência de nós seja
Uma cousa que nada já deseja . . .
Assim idênticos à hora toda
Em seu pleno sabor,
Nossa vida será nossa anteboda:
Não nós, mas uma cor,
Um perfume, um meneio de arvoredo,
E a morte não virá nem tarde ou cedo . . .
Porque o que importa é que já nada importe . . .
Nada nos vale
Que se debruce sobre nós a Sorte,
Ou, tênue e longe, cale
Seus gestos . . . Tudo é o mesmo . . . Eis o momento . . .
Sejamo-lo . . . Pra quê o pensamento? . . .
11.10.1914
PESSOA Pela rua já serena
Vai a noite
Não sei de que tenho pena,
Nem se é pena isto que tenho...
Pobres dos que vão sentindo
Sem saber do coração!
Ao longe, cantando e rindo,
Um grupo vai sem razão...
E a noite e aquela alegria
E o que medito a sonhar
Formam uma alma vazia
Que paira na orla do ar...
pessoa poesia inedita Pálida, a Lua permanece
No céu que o Sol vai invadir.
Ah, nada interessante esquece.
Saber, pensar - tudo é existir.
Mas pudesse o meu coração
Saber à tona do que eu sou
Que existe sempre a sensação
Ainda quando ela acabou...
Fernando Pessoa Ricardo Kanashiro
Sou livre para ser o que eu quiser...
Posso ir até aonde eu conseguir...
Não importa o que você disser...
Estarei no ar a sorrir.
O caminho não importa...
Desde que alcance o meu destino...
Você pode fechar a porta...
Pois pelo ar estarei saindo.
Como um pássaro estarei a voar...
Não se preocupe, eu hei de voltar.
Livre como o pássaro no ar...
Deixo minha mente se libertar.
Sou livre para escolher...
Não importa se estarei isolado.
Pois sou eu que irei viver...
E sentir o peso do meu fardo.
São tantos os caminhos à escolher...
Mas tenho fé em Deus...
E no amor que tenho em viver.
Portanto, adeus...
Como um pássaro estarei a voar...
E minha alma a flutuar...
Livre como o pássaro no ar...
Deixo a paz me dominar.
Observo o entardecer...
Minhas asas estão a tremer...
O calor a me envolver...
A dor a se dissolver...
A alma adormecer...
Só posso, à Deus, agradecer...
Por poder ver um entardecer...
Pois só agora consigo perceber...
O quanto é bom VIVER.
Tempo de azul e não. Desencantado
reino do que não foi, mundo postiço,
ontem feito de agora, hoje passado:
na essência do não-ser o instante omisso.
(Margaridas da tarde, onde o seu viço?
Choro de água nos ares, lento e alado
caminho cor de sonhos? Insubmisso
mar sem datas, desfeito e recriado?)
Suaves rechãs por onde a mão do vento
esculpia no verde a sombra exata
e as imagens que o olhar já não alcança.
Aventuras tão-só do pensamento:
arco de azul, a tarde era a fragata
supérflua, para o exílio da esperança.) Os pássaros nostálgicos... Errantes
mágicos do crepúsculo, soprando
das longas asas trêmulas o brando
vento da tarde; e logo, em céus cambiantes,
alvos blocos de pluma vão distantes
e efêmeras imagens modelando:
sereias e hipocampos, entre o bando
de carneiros, e rosas, e elefantes,
cães e estrelas, dragões, ou aguçadas
torres, na superfície roseoviva
por onde voga, acesa, a caravela
e as longas asas captam, retesadas,
a poesia da tarde, fugitiva,
mas eterna no instante em que foi bela. Na emanação da noite o leve peso
das sombras ancestrais. Vozes tardias
em vago marulhar, talvez desprezo
às turvas ambições, seiva dos dias.
E sobre o ser profundo, vivo-aceso,
o lume das vigílias. (Nas sombrias
urnas do tempo há de ficar defeso
o enigma das mortais mitologias
imunes à esperança.) Agora é essa
onipresença onírica, ou apenas
a ácida indiferença à vã promessa:
em seu ambíguo reino indefinido
a consciência noturna sofre as penas
da vida, o rude esforço sem sentido < Os símbolos efêmeros: memento
da vida breve: música secreta
– do tempo, a se esvair na asa do vento,
– do sonho, a esmaecer a chama inquieta.
Cresça no céu de pedra o véu nevoento;
junto às nuvens se perca a doida seta
rumo ao não e ao talvez: o sentimento
atrela-se a uma estrela, e essa incompleta
visão apaziguante é misteriosa
luz transcendência: rútila persiste,
seiva do ser, essência poderosa,
pois se foi dito o quanto a carne é triste,
arde em perfume o espírito da rosa
e é mais belo o que só no sonho existe Mistério das imagens interiores.
Imersas nestes mares de abandono
as sementes de fogo geram flores:
rosas de pó nas lâminas do outono.
Transfigurada, a fria luz de sono
vela de cinza a face dos pastores,
e os súditos do tempo, e os reis sem trono,
sob o mudo legado de outras dores.
Na áspera latitude um rio corre
branco de eternidade. As nebulosas
vão-se formando, enquanto o sonho morre.
Há pássaros absortos na obcecada
cisma da solidão; e mãos ansiosas
abrem portas de sombra para o nada.
Aqui, diante de mim,
eu, pecador, me confesso
de ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
que vão ao leme da nau
nesta deriva em que vou.
Me confesso
possesso
das virtudes teologais,
que são três,
e dos pecados mortais,
que são sete,
quando a terra não repete
que são mais.
Me confesso
o dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas
e o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo andanças
do mesmo todo.
Me confesso de ser charco
e luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
que atira setas acima
e abaixo da minha altura.
Me confesso de ser tudo
que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.
Me confesso de ser homem.
De ser um anjo caído
do tal céu que Deus governa;
de ser um monstro saído
do buraco mais fundo da caverna.
Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
para dizer que sou eu
aqui, diante de mim!
Miguel Torga Acordo como os pássaros cativos,
Com a ária da vida nos ouvidos.
Acordo sem amarras nos sentidos,
Fiéis à sempiterna liberdade...
Nada pôde vencer a lealdade
Que juraram à deusa aventureira.
Nem as grades do sono, nem a severidade
Da noite carcereira.
Acordo e recomeço
O canto interrompido:
O desvairado canto
Da ira irrequieta...
- O canto que o poeta
Se obrigou a cantar
Antes de Ter nascido,
Antes de a sua angústia começar.
Miguel Torga O ser busca o outro ser, e ao conhecê-lo
acha a razão de ser, já dividido.
São dois em um; amor, sublime selo
que à vida imprime cor, graça e sentido.
"Amor - eu disse - e floriu uma rosa
embalsamando a tarde melodiosa
no canto mais oculto do jardim,
mas seu perfume não chegou a mim."
Carlos Drummond de Andrade desejo maior de toda a gente
é ter um maior bem, de maior dura;
e longe, a procurá-lo, se amargura
tendo-o às vezes tão perto, e tão presente!
Deve ter sempre o coração consciente
quem se aventure a procurar ventura.
Deve sempre saber o que procura
para que não procure inutilmente.
O sonho que em mim arde e em mim se espande
há-de chegar ao fim,há-de ser grande!
O meu instinto é que o presente e diz...
Sei onde vou e a parte que me cabe!
E há tanta, tanta gente que não sabe
o que lhe falta para ser feliz!
Virgínia Victorino
Um sorriso!
1 - Não custa nada e rende muito...
2 - Enriquece quem o recebe sem empobrecer quem o dá!
3 - Dura somente um instante, mas seus efeitos perduram para sempre!
4 - Ninguém é tão rico que dele não precise...
5 - Ninguém é tão pobre que não o possa dar a todos.
6 - Leva a Felicidade a todos e a toda a parte...
7 - É símbolo da amizade;
da boa vontade, é alento para os desanimados;
repouso para os cansados;
raio de sol para os tristes;
ressurreição para os desesperados...
8 - Não se compra, nem se empresta.
9 - Nenhuma moeda do mundo, pode pagar o seu valor!
10-Não há ninguém que não precise tanto de um sorriso, como aquele que não sabe mais sorrir!
11-Quando você nasceu, todos sorriram, só você é que chorava!
Viva de tal maneira, que quando você morrer, todos chorem e somente você sorria!
by: Luiz Felipe de Nadal Eu, que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te, sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.
Cesário Verde Eu tive um sonho
Sonhei que estava falando com um Anjo
Um lindo anjo de Olhos Azuis
No paraíso
Eu não queira acordar
Só queria sonhar...
Com seu sorriso lindo
Minha alma iluminava
Com sua voz cálida
A cada palavra
Meu coração tocava...
Era dificil de explicar
Mas sei que me entendia
Não precisei nada dizer
Apenas em seus olhos, olhar...
Rindo como crianças
Amor, lembranças, ternura e paixão
Brincamos felizes
Abrindo totalmente
Nosso coração...
A alegria de viver
A ternura de amar
A certeza de compreender
E uma linda amizade
Compartilhar...
Mas, chegou a hora de acordar
Deste lindo sonho me apartar
Mas com muita alegria sei
Outra vez nesta noite
Com meu lindo anjo
Irei sonhar...
by - Dibruck - 17/08/2.000 Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Fernando Pessoa Como é bom sonhar sonhos lindos,
nas horas de boas lembranças,
no tempo de ser feliz,
em momentos de alegria,
quando nem mesmo a saudade
pode indicar separação!
Como é bom te ver,
como é bom te amar e sentir
que a distância não existe!
bom é o amor
que nos faz tão próximos,
que nos faz tão juntos,
e te faz tão minha!
Como é grato o amor
que põe minha vida na tua
em dimensão de encanto!
Boa é a ternura,
a sensação de carinho
de dois seres
vivamente enamorados!
Para um grande amor,
não há fronteiras,
não há limites
no ontem, no hoje, no agora
de toda a eternidade!
by: Wanderlino Arruda Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Alexandre O'Neill Eu, que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te, sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.
Cesário Verde
*Tomara que você volte depressa
que você não se despeça
nunca mais do meu carinho
E volte, se arrependa e pense muito
que é melhor se sofrer junto
que viver feliz sozinho
Tomara que a tristeza te convença
que a saudade não compensa
e que a ausência não dá pé
Que o verdadeiro amor de quem se ama
tece a mesma antiga trama
e não se desfaz
Que a coisa mais bonita
desse mundo
é viver cada segundo como nunca mais.
by: Vinicius de Moraes Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Alexandre O'Neill